Sem força para reagir, Lula 3 não consegue reverter rejeição
Esse último levantamento do Datafolha, divulgado no fim de semana, mostra que são remotas as chances de o petista vencer no primeiro turno e que empata no segundo com Flávio Bolsonaro (PL), ou com Ronaldo Caiado (PSD) ou com Romeu Zema (Novo), todos de direita.
Mas são nos números da avaliação do terceiro governo Lula é que mora o grande problema para a sonhada reeleição. Pela pesquisa do Datafolha 40% dos entrevistados acham o governo péssimo ou ruim e outros 29% regular. Supondo que a metade desse regular ainda vote em Lula, o restante escolherá outra opção. E ai já são quase 60% de rejeição, o que convenhamos, trata-se de índice difícil de baixar em ano eleitoral.
O problema é que Lula 3 não apresentou nada de novo. Não foi lançado um programa de real impacto na vida da população nos moldes do Minha Casa, Minha Vida ou do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Foram apenas tentativas de requentar ações já existentes e isso não foi o suficiente para empolgar um público que esperava mais. O distensionamento das relações político-institucionais, apoiado num repetitivo discurso pró-democracia não foram também capazes de alcançar mais aplausos do que vaias ao governo.
Ao contrário de outras épocas é clara a desconexão de propósitos entre Lula-PT e a sociedade, a começar pelo fator econômico. Do caixa público sai mais dinheiro do que entra e a margem de investimentos é mínima. O poder salarial também diminuiu e os juros não baixaram, fazendo que índice de endividamento da população chegasse a um nível inédito.
"De acordo com pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC), das 80% famílias que devem, 30% está com suas contas atrasadas".
Desconexão que nem Lula faz força para esconder. Numa entrevista na semana passada, o presidente disse ter aconselhado o ‘companheiro’ Alexandre de Moraes a evitar que o escândalo do Banco Máster não “manche a sua rica reputação”, já que nos últimos 15 anos ele não advoga”.
Para Lula, o escritório da família do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) ter recebido R$ 82 milhões em menos de dois anos dum banco prestes a explodir por causa de fraudes é um detalhe.
Com um modelo de gestão ineficaz e uma lógica ética bem diferentes daquilo que é desejado pela maioria dos governados, fica difícil de o grupo que está no poder seguir. As pesquisas taduzem isso.
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A coluna diária de Alex Soares é reproduzida também em áudio para os programas Primeira Hora e Redação Acústica (Rádio Acústica FM), Bom Dia Cidade e Boa Tarde Cidade (Rádio Tchê São Gabriel) e Jornal da Manhã (Tchê Alegrete). Ouça abaixo
