Não haverá securitização ampla; a briga é pelo PL 5122.
Uma abertura mais enxuta, marcada por discursos que sublinharam a capacidade de resistir dos produtores rurais, e um público acima do esperado para o primeiro dia nas largas e limpas ruas do parque. Assim foi a terça-feira da 24ª edição da Expoagro Afubra, no Distrito de Rincão del Rey, na rodovia que une a histórica Rio Pardo com a germânica Santa Cruz do Sul.
São quatro dias de feira, que no passado recebeu quase 200 mil pessoas, a maioria agricultores familiares que tem como carro chefe das suas produções o cultivo do tabaco. Vindo com os seus carros ou em excursões eles se atualizam, fazem negócios, compram uma coisinha e outra, convivem e fazem novas amizades.
O Conexão Rural aproveitou esse primeiro dia de Expoagro também para se atualizar, mas sobre algumas demandas do setor, conversando com políticos e lideranças que aqui estiveram.
Do vice-governador e candidato a governador Gabriel Souza (MDB) ouvimos que a atual administração estadual vai continuar apoiando as entidades na batalha pela aprovação do PL 5122 no Senado. Se isso acontecer, serão direcionados R$ 30 bilhões oriundos do fundo social do pré-sal para garantir a renegociação das dívidas dos produtores rurais gaúchos.
Souza, que tem aproveitado essas missões repassadas pelo amigo Eduardo Leite (PSD) para se apresentar como o seu sucessor, disse também ao CR que o governo vai insistir na proposta de prorrogação do Funrigs - fundo criado para ajudar a reerguer o Estado após a enchente a partir da suspensão do pagamento da dívida do Estado com a União - para direcionar os recursos das parcelas para investimentos em irrigação.
Já do deputado federal Afonso Hamm (PP) o CR ouviu que o PL “está sendo enviado” para a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do senado. É nessa comissão permanente que os projetos de qualquer natureza orçamentária são discutidos. É a antessala para o envio das matérias para votação em plenário, ou o seu engavetamento - provisório ou eterno.
PL vai para comissão
Na entrevista que fiz com Hamm, perguntei a ele sobre a atuação dos senadores nas articulações para aprovar o 5122. Hamm disse que "poderia ser melhor”. O parlamentar, relator do PL aprovado na Câmara, foi cuidadoso com as palavras, já que tanto o senador Hamilton Mourão (Republicanos), bastante criticado por sua baixa produtividade como representante do Rio Grande do Sul no Senado, e o sempre combativo Luis Carlos Heinze parecem estar indiferentes a esse projeto.
"Sobre a postura do ocupante da terceira cadeira, a de Paulo Paim (PT) não se esperava nada mesmo"

Mas por quê Mourão e Heinze menosprezam o PL? O general pela manjada incapacidade de entender a sua função, já Heinze por defender uma securitização ampla, como a que aconteceu no final da década de 1990, quando o ministro era Marcus Vinicius Pratini de Moraes e o presidente Fernando Henrique Cardoso. Com Lula, Fávaro e Falcão, isso nunca vai acontecer.
